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    Psicologia Fenomenológica e Existencial - 1ª EDIÇÃO - Fundamentos filosóficos e campos de atuação - Digital

    Por: R$ 101,00ou X de

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    Especificações

    Descrição

    Currículo

    OrganizadoresFabíola Freire Saraiva de Melo, Gustavo Alvarenga Oliveira Santos

    Sinopse

    SinopseA apropriação de conceitos de uma disciplina por outra implica o apoderamento de concepções originadas em um sistema distinto, o que demanda adoção, assimilação, desvelamento ou criação de possíveis significados. Inevitavelmente, a apropriação de conceitos por disciplinas diferentes daquelas nas quais foram gerados os transforma. Os significados podem assemelhar-se, estar próximos aos de sua origem, mas não são mais os mesmos. Ao serem apropriados sofrem ajustes exigidos pelo novo contexto: modificam-se a fim de se adaptarem, serem aceitos e se incorporarem ao novo habitat.

    Apropriação implica, portanto, em movimento. Trata-se de um processo no qual os conceitos apropriados necessariamente criam relações com as culturas nas quais são inseridos e com os valores que ali imperam. Esse fluxo é composto de incorporações, assimilações e ajustes para que os conceitos, transformados, ganhem espaço e se integrem à nova disciplina. Já quando modificados e incorporados, provocam mudanças no modo de compreender os objetos de conhecimento, os objetivos e os modos de concretizar ações da disciplina que os recebe. Em outras palavras, parte e todo se ajustam visando à melhor forma, possibilitando que os conceitos sejam, então, novamente apropriados pelos adeptos do sistema.

    A apropriação de conceitos de uma disciplina por outra encontra resistências e, sob certo ponto de vista, é considerada uma usurpação e, principalmente, um desvio do rigor teórico, exatamente por alterar significados. O conceito original, stricto sensu, só teria sentido no sistema em que foi desenvolvido.

    No entanto, a história da ciência mostra que a apropriação e a modificação de conceitos podem ser férteis: provocam reordenamentos disciplinares e novas práticas, possibilitam a junção de diferentes campos do saber e o cruzamento de linguagens diversas, criam novos domínios do conhecimento e diálogos interdisciplinares. Neles, o uso do mesmo termo com distintos significados exige o esclarecimento das referências ou a definição de matrizes coletivas que assegurem trocas e, ao mesmo tempo, garantam a preservação da identidade de cada disciplina.

    O livro que o leitor tem em mãos possibilita interessantes reflexões a partir das colocações anteriores. A Psicologia se descolou da Filosofia a partir da definição de seu objeto de estudo e do desenvolvimento de conceituações próprias. E, em um movimento interativo, a escolha por esta ou aquela abordagem filosófica determinou as diferentes definições de seu objeto de conhecimento dando origem às múltiplas psicologias.

    Em seu desenvolvimento, muitas escolas psicológicas criaram matrizes e conceitos teóricos próprios relativos ao desenvolvimento humano, ao entendimento da personalidade e da psicopatologia, entre outros. A origem filosófica se manteve como base das teorias dessas escolas e permite identificá-las. Houve apropriação de conceitos que caracterizaram certo modo de ver o mundo e o ser humano e de compreender o conhecimento. Já assimilados, os conceitos filosóficos subjazem às reflexões teóricas, à bibliografia disciplinar e às práticas profissionais. Citá-los se torna desnecessário, referências a sua origem filosófica se restringe aos estudos históricos e epistemológicos desta ou daquela teoria e cumpre a importante função de permitir um mapeamento dos diferentes paradigmas existentes na área.

    As abordagens psicológicas, assim, ganham corpo próprio e vão se delineando como ciência e não mais filosofia. Por essa razão, se torna desnecessário que em cada estudo do behaviorismo, por exemplo, sejam feitas referências aos filósofos positivistas e a outros que o influenciaram. Seu corpo teórico e suas práticas já se consolidaram no amplo espectro da psicologia behaviorista, que se apresenta como científica. Do mesmo modo, não é preciso que a psicanálise, em todas as suas colocações, cite os filósofos que influenciaram Freud e seu desenvolvimento teórico; ou que a psicologia social esclareça em suas apresentações o pensamento de Marx, ou de outro autor. O paradigma filosófico inicial já foi incorporado e subjaz ao conhecimento sistematizado em cada abordagem. No entanto, o mesmo não ocorre quando se trata da Psicologia Fenomenológica: sua origem filosófica e os conceitos por ela adotados são continuamente reafirmados como que assegurando seu título e a validade de sua posição.

    Os principais filósofos da Fenomenologia se referiram à Psicologia, mormente no sentido de circunscrever sua especificidade, examinando a possibilidade de que ela se diferenciasse da Filosofia e se implantasse como disciplina própria e independente. Nessa direção, discutem as possíveis relações que podem ser estabelecidas entre as duas áreas. E o fazem se referindo ao trajeto do desenvolvimento da Fenomenologia. Husserl, Heidegger, Sartre, Merleau-Ponty e outros (muito bem apresentados pelos autores deste livro) desenvolvem a Fenomenologia, ou melhor, as Fenomenologias, e consideram seu efeito na Psicologia, de modo que a cada um desses pensadores corresponda certo modo de compreender não apenas o que é a Fenomenologia, mas, também, o que poderia ser a Psicologia.

    As primeiras incursões pelo pensamento fenomenológico, para além da Filosofia, ocorreram notadamente no campo da literatura, da psiquiatria e da educação e seus efeitos foram cada vez mais ampliados. Criou-se um modo de “apresentar a fenomenologia” em forma de novelas, desenvolveu-se um modo de “fazer fenomenologia”, de tal forma que o “como”, substituindo o “por que”, se tornou uma marca da abordagem e da exposição fenomenológica. A preocupação de desenvolver uma conceituação específica, transportando os conceitos filosóficos e se apoderando deles para criar uma nova teoria psicológica, embora existente, tornou-se marginal. Ao final, a Psicologia Fenomenológica se recusou a ser transformada em ciência no sentido estrito da palavra e a criar um sistema teórico fechado em si mesmo. As diferentes conceituações da Fenomenologia, não se transmutaram em teorias psicológicas, mas foram certamente apropriadas e resignificadas pelos psicólogos fenomenólogos. E sofreram as transformações conceituais inevitáveis nas adoções pessoais. No processo de apropriação, o sujeito não é apenas um receptor. Ele modifica o conceito e se modifica ao encontrar em si novas e insuspeitadas possibilidades de compreensão. Sua subjetividade é afetada, há deslocamentos cognitivos e outros, o que influencia o seu modo de estar no mundo e de agir e, no caso, a sua maneira de ser psicólogo.

    Os conceitos da Fenomenologia em sua diversidade e diferenças afetaram os psicólogos que se declaram fenomenólogos ao se apropriarem deles de acordo com seus princípios, valores, escolhas e objetivos. Mantendo como referência os filósofos da Fenomenologia e seus conceitos basilares, os psicólogos puderam transitar e estabelecer relações a partir desses conceitos com diferentes conhecimentos criando interações e produzindo ações originais. Assim, a cada apresentação das produções da Psicologia Fenomenológica são retomados os conceitos apropriados da Filosofia e o modo como foram resignificados por cada um.

    E exatamente por não fixar significados estritos, por não incorporá-los em uma teoria fechada, por manter referências amplas, a psicologia fenomenológica se manteve e se mantém em contínuo movimento. E em seu trajeto se reapodera dos conceitos da Fenomenologia, os revê, os recria e os reapresenta em versões similares, porém distintas, gerando um interessante fluxo de interações e atuações que frutificam o campo das reflexões e das aplicações. Essa riqueza e versatilidade são apresentadas neste livro nos capítulos dedicados à clínica, à educação, à saúde, à política e à pesquisa.

    Este é o fio da navalha no qual se desenvolve a psicologia fenomenológica: não é uma ciência, não é uma filosofia, é múltipla e se movimenta em revisões, construções, descontruções, anda às margens, cria interfaces, desenvolve técnicas, se dirige a campos variados e desempenha diferentes funções mantendo-se fiel, de diferentes modos, à Fenomenologia. Este é o desafio que se apresenta aos psicólogos que querem fazer psicologia fenomenológica.

    Sumário

    SumárioPrefácio
    Introdução
    Seção I Fundamentos teóricos e epistemológicos da psicologia fenomenológica e existencial
    1. Introdução à fenomenologia
    2. Contribuições do pensamento de Martin Heidegger para a psicologia fenomenológica existencial
    3. A psicologia existencialista com base em Jean-Paul Sartre
    4. Contribuições do pensamento de Hannah Arendt para a psicologia
    5. Contribuições do pensamento de Simone de Beauvoir para a psicologia
    6. Contribuições do pensamento de Frantz Fanon para a psicologia existencial
    7. Pensamento decolonial e psicologia existencial
    Seção II Campos da psicologia fenomenológica e existencial
    8. A clínica existencial
    9. Contribuições da psicologia fenomenológica e existencial para o campo da educação
    10. Atuação da psicologia fenomenológica existencial no campo da saúde: desafios e possibilidades
    11. Intervenções em grupos na perspectiva existencialista
    12. Plantão psicológico em uma compreensão fenomenológica existencial
    13. A pesquisa na perspectiva fenomenológica: uma proposta dialógica e colaborativa
    Índice remissivo

    Especificações

    ISBN9786555764659
    Número de páginas296
    Ano de publicação2022
    Tipo de produtoE-Books
    Link imagem

    Requisitos mínimos

    Requisitos mínimos para leitura do e-bookA Editora Manole adota a plataforma de e-books VitalSource Bookshelf. Além de oferecer vários recursos, o Bookshelf permite até quatro instalações, sendo duas em dispositivos móveis (smartphones e tablets) e duas em computadores (desktops ou notebooks).

    Compatibilidade

    Além do acesso on-line e Off-line (online.vitalsource.com), o Bookshelf está disponível para os seguintes sistemas: Windows, Mac OS X, iOS e Android.

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    Observações importantes

    • Em sistemas Linux e Windows Phone, seus e-books podem ser acessados on-line;
    Não é permitida a impressão dos e-books;
    Os e-books adquiridos no site da Editora Manole não são compatíveis com os aplicativos e dispositivos Kindle, Nook, Kobo e Lev;

    Sobre o autor

    CurrículoFabíola Freire Saraiva de Melo: Psicóloga. Mestra e Doutora em Psicologia da educação. Pós-doutorado em comunicação pela Universidade Autônoma de Lisboa. Professora no curso de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Supervisora de estágios e pesquisadora engajada de práticas relacionadas à educação, infância, gênero e ensino de fenomenologias.

    Gustavo Alvarenga Oliveira Santos: Psicólogo. Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas SP. Doutor em Psicologia pela Universidade de Buenos Aires, reconhecido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor Adjunto do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Professor colaborador no Programa de Mestrado Profissional em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Autor de vários livros e artigos sobre Psicopatologia Fenomenológica, Psicologia Fenomenológico Existencial e sua interlocução com o pensamento decolonial.

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